27 fevereiro 2010

Entre alfajores e mate

Olá! Ou seria mais apropriado um !Hola!? O caso é que inicio esse blog diretamente de San Martín de los Andes. Faz muito tempo que pretendíamos criar esse blog, só que a preguiça, e as vezes o cansaço, nos impedia. Mas a cada dia que passa nessa cidade especial a gente tem a certeza que deveríamos contar mais sobre a nossa viagem e descobertas.

Eu, Bárbara, vim para San Martín diretamente de oito dias em Buenos Aires. A minha primeira visão da Argentina foi porteña e a princípio gostei muito! As suas excentricidades, como um danette sabor alfajor, a quantidade de comida que ando descobrindo que não é uma particularidade porteña, os horários despirocados das refeições... Mas confesso que quando cheguei a San Martín descobri que não tinha gostado tanto de Buenos Aires, pois me apaixonei por essa cidadezinha com paisagens que é preciso que sejam tocadas para termos a certeza que não são pinturas. Aqui a verdade me encanta e é sempre inacreditável! A gente acha que a primeira paisagem foi maravilhosa mas aí tromba com uma cachoeira ou uma curva do Lago Lacar que te dá uma paisagem impressionante! E se fosse só a paisagem, mas não! Os chocolates daqui são sem descrição, ainda mais se levarmos em conta o seu custo-qualidade! Os alfajores a gente vai descobrindo a cada mordida um melhor que o outro. Juro que não entendo como não vejo uma quantidade exorbitante de pessoas obesas nesse país! Até agora, depois de ultrapassar o ovacionado Havanna, o Abuela Goye está na ponta! E falando em Abuela Goye, acabei de me lembrar dos sorvetes! O problema (ou o aumento da distância entre uma futura Bárbara com obesidade mórbida) é que eles são caros e eu estou gripada - um pequeno presente que as chuvas de Buenos Aires e Tigre, cidadezinha na região metropolitana de Buenos Aires, me deram. Creio eu que se eu continuar falando da comida daqui vou perder leitores!

Bom, como estou entre alfajores e mate, e de alfajores já falei bastante, agora vai o mate. Em Buenos Aires vi muitos lugares vendendo o potinho que se faz o mate, mas foi em San Martín que vi o quanto o mate é uma instituição aqui! Confesso que aqui faz um pouco de frio, mas de dia dá até pra usar camiseta e short! Lógico que quando digo dia falo de depois de meio-dia até as 8 da noite, quando começa a escurecer e a esfriar rapidamente. Mas é muito interessante ver a quantidade de rodas de mate que há nas praças, pessoas com garrafas térmicas debaixo do braço... Juro que não sei o que seria da Argentina se o mate do mundo acabasse! Creio que uma analogia ao mate seja o café no Brasil, em que as pessoas vão nas casas das outras pra tomar um cafezinho e conversar. Aqui ele saem para um mate, a coisa é feita mais ao ar livre.

Aqui visitamos muitas praias e na primeira já aprendemos uma coisa: sempre leve chinelo pra praia! Caso tenhas Crocs, ele também será muito útil na praia! Isso porque as praias dos lagos daqui são em sua maioria cheias de pedras e se vc não tem um calçado que possa ser molhado vc entra com grande dificuldade nas águas geladas daqui e sai andando como criança que acaba de aprender a andar. Outra coisa que também seria bem útil seria uma meia térmica. Ontem fomos numa praia chamada Quila-Quina e lá perto fomos numa cachoeira no território mapuche. Nessa cachoeira creio que nem uma meia térmica ia fazer alguma diferença! Na verdade acho que a melhor descrição dessa cachoeira é que ela é uma fábrica de picolé, ou a melhor maneira de perder um dedo - quizá um pé - sem sentir dor! Depois de um lanche na praia cavalgamos. A cada curva a paisagem ficava mais maravilhosa ainda!

Bom, chegamos em casa acabados e com várias partes do corpo doloridas! Fomos dormir mais cedo, eu antes que a Núria. Fomos a Quila-Quina de barco. Quando começamos a sentir o terremoto, cujo epicentro foi próximo a cidade de Concepción, no Chile, 524 km de San Martín, eu achei que primeiramente que a minha cama era um barco que estava atracando num porto, por isso mexia tanto. Até que percebi que toda a casa mexia. Então comecei a pensar que o hostel era um barco. E nesse meio sonho-realidade eu comecei a pensar se era possível que o hostel fosse de verdade um barco. Quando cheguei a conclusão que não já tinha acabado o tremor e muita gente andava pelo corredor. Pensei que já era de manhã, mas estava muito escuro para ser. Então acendi a luz perto da minha cama e descobri que era 3 e meia da manhã. Núria também estava acordada e me perguntou se a minha cama tinha mexido também. Eu disse que sim e começamos a tentar entender o que tinha acontecido e por mais irreal que fosse a hipótese mais verdadeira era a de que alguém tinha entrado no quarto e balançado nossas camas! Até que eu abri a porta e descobri que o temor tinha sido de um terremoto! Nesse momento sim fiquei com medo. Ficamos tentando descobrir o que fazer depois de um tremor e se havia sido forte ou não, onde tinha atingido e tals. Depois de uma hora nós fomos dormir. Depois de 10 minutos deitadas teve outro temor e corremos pra fora do hostel. O mais legal é que parecia que só nós estávamos assustadas, pois no segundo tremor encontramos uns 5 argentinos conversando na recepçao e tomando, que novidade!, mate. Dormimos mal e não fizemos nada de tão aventureiro hoje, mas o dia de amanhã nos espera! Vamos nas bases do vulcão Lanín!

5 comentários:

  1. Isso aí Baa. 1 dia depois do seu primeiro terremoto e você vai visitar um vulcão?? Não acha que é empurrar a sorte um pouco demais?? Brincadeirinha, apesar do medo deve ter sido emocionante (não para as pessoas no Chile, é claro). Pela sua descrição consigo enxergar um pouco como esse lugar deve ser maravilhoso! Estou me preparando para a volta as aulas amanha. Vou esperar os seus outros posts, ok?

    Ree

    Um abração!
    (Quando voltar eu quero Doce de Leite, ok?)

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  2. O pior que dizem sobre os terremotos é a sensação de medo de quem nunca experimentou.
    Espero que não tenha sentido muito quando passou por ele.
    Outra coisa interessante é que eu não entendo porque essa conta ulalala do google...
    Beijos

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  3. Uau, que delícia de história, parece que estou viajando junto com você, claro, com uma imensa diferença hehehe.
    Eu vi no orkut seu site, agora vou entrar sempre pra ler ok?
    Continue tendo uma boa viagem, beijão
    Thiara

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  4. Essa coisa de se sentir dormindo em um barco foi inspirada em Neruda? A menina vai pra Argentina mas o Chile permanece nas veias.
    Muito chato não te encontrar na volta às aulas! Faremos mexicano em sua homenagem qq dia desses.

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