14 novembro 2010

Quero estar a alguns passos da felicidade...




"De tudo ficaram três coisas:
a certeza de que estamos sempre começando...
a certeza de que é preciso continuar...
a certeza de que seremos
interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos.....
fazer da interrupção um caminho novo...
da queda um passo de dança...
do medo, uma escada...
do sonho, uma ponte...
da procura... um encontro".

(Fernando Sabino)

06 novembro 2010

Lembrando outra vez













1° de Maio de 2010, Cayastá, Santa Fe, Argentina.
"O viajante está feliz. Nunca na vida teve tão pouca pressa.Senta-se na beira de um destes túmulos, afaga com as pontas dos dedos a superfície da água, tão fria e tão viva, e, por um momento, acredita que vai decifrar todos os segredos do mundo. É uma ilusão que o assalta de longe em longe, não lho levem a mal." José Saramago, Viagem a Portugal, Ed. Caminho, 21.ª ed., p. 137


Fotos: Bettina D´avila
Viajantes: Alex Romero, Bárbara Estanislau, Bettina D´avila, Carlota Craice, Diosana Frigo, Itzel Sánchez, Maria Paula Ito, Mayara Gielow e Núria Manresa

03 novembro 2010

"Outros outubros virão, outras manhãs, plenas de Sol e de luz"



Faz tempo que não postamos (vamos dividir a responsabilidade entre eu e a Núria!!) mas não esqueci a senha. Na verdade pouco esqueci desse tempo que passou e pra ser sincera, lembro o tempo todo! A umas semanas atrás conversando com a minha companheira de blog sugeri de acabarmos com ele, mas ela disse que não, que era para podermos escrever sobre nossas outras viagens e principalmente as que envolvam o que construímos na Argentina. Bom, então aqui estou escrevendo novamente, depois do primeiro grande RAEncuentro em Floripa!

As últimas semanas de intercâmbio são cheias de emoção, de vontade de fazer tudo o que ainda não foi feito, se é que realmente há alguma coisa que ainda não foi feita em Santa Fe, além de vermos o pôr-do-sol na costanera, claro! (=D) Voltamos e temos que redescobrir o mundo antigo, muito porque nossos olhares mudaram. Ando lendo bastante sobre a formação da memória e uma coisa que se diz é que o que nos recordamos do que passou não é a leitura bruta e real do que foi, e sim a nossa interpretação, o que ficou marcado para nós daquilo tudo. Confesso que até a viagem pra Floripa ainda relembrava o intercâmbio com um pouco de dor, de saudade mesmo, como se eu nunca pudesse voltar a ver e sentir tudo aquilo de novo! Hoje não. Acabo de falar com minha mãe e ela achou incrível que 11 pessoas, de vários lugares do Brasil, que estavam fazendo intercâmbio, se juntaram. Hoje vejo o que passou nesse feriado e me lembro do intercâmbio feliz, pois os últimos abraços podem, de verdade, não ser os últimos!

18 junho 2010

"La jornada será larga, pero no nos desanimaremos. Cada día llegaremos, cada día partiremos." José Saramago



É a primeira vez na minha vida que eu realmente vivo o outono, que estou em um lugar em que as folhas realmente ficam laranjas e o ar com uma atmosfera de sol de 5 da tarde - quando tem sol! É o outono também que vive em mim, entre a felicidade de rever a família e a dificuldade de dar tchau para pessoas que marcaram a minha vida e muitas (não tantas numericamente, pois haja brasileiro nesse lugar!!) eu nunca mais vou ver na minha vida. Não sei o que escrever. Sinto-me na obrigação de dizer algo, mas eu não sei. Quando decidi fazer intercâmbio queria fazer de 6 meses. Para mim, um ano era muito. Agora, vivendo os últimos dias de intercâmbio sinto que é pouco tempo para viver uma cidade e um país de verdade, o bastante para conhecer bem algumas pessoas, e muito para ficar longe de casa.

Mas enquanto eu não dou tchau nem oi, fazemos nossas últimas coisas na cidade. Aproveitamos o mundial para exacerbar a nossa "brasilidade", fazendo feijoada ao som de um bom samba, cantando o hino com todo o amor e festejando como se fosse a final cada gol que sai. E principalmente descobrindo que os argentinos podem também ser amigáveis durante a copa do mundo! Lógico que até que jogue Brasil X Argentina! Dia após dia, por mais que o inverno esteja trazendo o frio mais forte cada dia, a nossa festa faz com que esses sejam dias quentes, aquecidos principalmente pelo carinho de um abraço.

16 abril 2010

Fim de uma tarde de Outono

Desço do ônibus amarelo que vem do campus da universidade. Faz frio e eu uso meu casaco de lã. Estou a dois quarteirões de casa. Na rua,transeuntes: crianças de uniforme escolar, senhoras com as compras do sacolão, casais. Passo pela pietonal San Martin. Cheiro de amendoim torrado e as luzes das vitrines. O céu rosa deste instante me lembra outros tempos. O mesmo frio úmido. Uma senhora está segurando a minha mão enquanto eu devoro uma barra de pão e falo sem parar. Volto pra Santa Fé e quando me dou conta já estou na calle 9 de Julio. Chego sozinha em casa.

11 abril 2010

Uma viagem santa!



Tudo começou com a lembrança de que a Páscoa estava chegando. Não por motivo cristão, mas porque ia ser o maior feriado do intercâmbio. Conversando com Ana, uma espanhola que também está fazendo intercâmbio, mas não mora na RAE, ela disse que com os nossos preciosos 10 dias podíamos conhecer o Noroeste da Argentina. Indicou Salta como cidade principal e povoados cerca de lá, no caminho pra Jujuy. Até que um dia Luiza me sugeriu: "O quê que você acha da gente ir pra Salta e depois pro Salar de Uyuni, na Bolívia?!". Não havia como dizer não. Era um dos lugares que eu sonhava conhecer, não desde menina porque não tinha idéia de que essa região existia, mas depois de grande, quando o mundo também cresceu pra mim.

Saímos de Santa Fe sexta de noite. O grupo: Luiza, Maria, Lucero, Marcos, Thiago e eu. Chegamos lá pelas 13 da tarde em Salta. Depois de descobrirmos qual era o hostel fomos pra lá. Salta já começou a se revelar como no slogan "Salta: la linda". De tarde fomos ao Museo de Arqueología de Alta Montaña, onde há a descrição de um culto inca feito no alto das montañas, onde estava localizado os "Adoratorios de Altura". O que dá a esse museu um toque particular é os corpos de 2 crianças que eles conseguiram recuperar e conservar para exposição. Depois fomos ao Cerro San Cristóbal(ou San Bernardo!), de teleférico, de onde dá pra ver a cidade de Salta toda! Voltamos ao anoitecer, até porque começou a chover!!

No dia seguinte fomos a Cachi. No povoado em si ficamos só meia hora, mas o belo do passeio foram as paradas no caminho! A paisagem ia se modificando aos poucos, das florestas úmidas das montanhas que me recordavam o caminho de Belo Horizonte a Timóteo a paisagem árida, marrom e vermelha, típica do Noroeste argentino. Nossa primeira parada nas alturas foi na Encuesta del Obispo, primeiramente a 3000 e depois subindo mais uns 600 metros, onde descobrimos que a tarefa de tirar fotos pulando pra Bettina ia ser mais cansativa do que se imaginava! Passamos pela Piedra del Molino, onde há uma pedra (oh!!) e uma Igreja (3348m). A história foi que estavam levando essa pedra pra uma cidade próxima e ela caiu e ninguém conseguiu tirar ela de lá! Só me pergunto se a Igrejinha veio antes ou depois da pedra... Logo depois, quando a paisagem cheia de cactus se aproximava e povoava mais ainda nossa janela, chegamos no Parque Nacional de los Cardones. Cardones é cactus em espanhol. Na realidade um tipo específico de cactus, os quais crescem 2 centímetros por ano. A parada para ver os cactus foi na Ruta del Tin Tin, uma reta 18 feita lá pelos anos de 1400 d.c. (época da chegada inca a Argentina) pelos incas, e é supreendentemente perfeitamente reta!! Chegamos em Salta lá pelas 6 da tarde e fomos comer algo, descansar um pouco no hostel e a meia-noite pegamos o bus pra La Quiaca, cidade argentina na fronteira com a Bolívia. Já na rodoviária começamos a perceber algo que seria constante no resto da viagem: a divisão entre turistas e nativos, nesse caso bolivianos. Haviam dois ônibus no mesmo horário, em que um no bagageiro mochilões (mochilas grandes) e outro malas comuns.

Chegamos em La Quiaca pela manhã e fomos atravessar a fronteira. Tudo tranquilo, entramos em solo boliviano e fomos trocar dinheiro e depois sacar mais uns no caixa eletrônico, algo que depois descobrimos que era raro aqui na Bolívia! Chegando na rodoviária tivemos o nosso primeiro confronto de culturas: vencendo todas as vozes que gritavam "Potosi Potosi!" "La Paz, Cochabamba!" "Oruro, Oruro", descobrimos que não havia mais ônibus pra Uyuni, só no final da tarde ou trem. Todos chegavam em Uyuni na terça, de madrugada ou pela manhã. Então alguém nos sugeriu ir pra Tupiza ao invés de Uyuni, pois aparentemente havia ônibus mais frequentes de Tupiza a Uyuni. Então fomos comprar passagem pra Tupiza. Chegando no guichê, indo pagar, chega o dono da empresa e diz pra vendedora não vender passagem pra gente. Choque. Como assim não vender a passagem!? Mais tarde um outro moço foi explicar que o ônibus ia até La Paz e Tupiza fica a 2:30 de Villazón, ou seja, ele ia sair perdendo se vendesse pra gente pois andaríamos muito pouco no bus. Então fomos esperar o senhor vender pra gente (a vendedora falou que 10:30 vendia pra gente e era 9:30). Marcos, Lucero e eu fomos comprar comida, que eram empanadas (na falta de coxinha de frango com catupiry!)uva e mexirica. Todos comendo felizes, elogiando as empanadas, e de repente aparece um cachorro e Luiza e se eu bióloga se compadece tanto com o coitado do animalzinho que dá metade da sua empanada pra ele. Depois que todos comeram e elogiaram e empanada, Luiza foi contar que havia encontrado um fio de cabelo enorme na empanada, mas não queria falar nada pois todos estavam felizes comendo-las que quando viu o cachorro achou a solução para os seus problemas! Enfim, depois de nos deliciarmos com as frutas, que estavam incrivelmente doces, Marcos, na sua contínua indignação pelo fato de não ter podido comprar a passagem e na sua eterna procura pelos bilhetes, conseguiu que um cara fretasse um ônibus pra Tupiza 11:30. Fomos felizes para Tupiza, mesmo que com grandes chances de ficarmos parados em algum lugar do caminho pra colar alguma coisa que soltou do ônibus (entenda que quebrar era algo meio difícil de acontecer...). O que me impressionou no trajeto, além, claro, da paisagem "surreal" (como diria meu amigo Thales!) foi a quantidade de obras e de policiais na estrada. Os policiais assustavam um pouco por vestirem verde. Demorou um pouco pra eu conseguir ler o que estava escrito na farda e tirar da minha cabeça que aquilo era o exército.

Chegamos em Tupiza, fomos pro hostel e descobrimos (não tanto descobrimos, mas a Luiza lembrou que um israelense que a gente tava conversando no hostel em Salta, antes de ir pra La Quiaca, havia dito que...) era possível fazer a rota do Salar de Uyuni a partir de Tupiza. Então fomos nós pesquisar os preços e comer. Depois comprar "gorritos" e meias de lã pra enfrentar o frio do Salar. A noite, depois de um vinho boliviano, fomos dormir com muitas expectativas para a rota que começaria no dia seguinte!

Bem, o primeiro dia foi o que mais ficamos no carro, um jeep 4X4 (é beeeem complexo fazer esse trajeto sem ser numa 4X4) em que estavam nós seis mais Benjamim, o chofer e guia, e Marisol, a cozinheira. A primeira parada foi na Quebrada de Palala (3700m) (Quebrada é um lugar onde há montanhas e um rio que passa por baixo), um lugar muito lindo, onde a montanha era furada por cortes psicodélicos. A estrada era bem estreita, e mais exatamente, com projeção a um a abismo. O primeiro momento tenso da viagem se deu ainda com a memória desses desenhos "psicodelísticos": estávamos nós, felizes e cantantes, quando avistamos um caminhão que carregava minério vinda na direção contrária a nossa. Tensão ao passar no carro da frente. Depois ao passar pelo nosso. Eu, pra ajudar, estava do lado do motorista, que estava encostado no barranco de terra enquando o caminhão se equilibrava pra passa ainda na pista. Mas, deu tudo certo!! =D Paramos em San Pablo de Lipes (4430m), onde vimos um cachorrinho e umas menininhas muito lindas e ficamos brincando com elas até termos que voltar. Dormimos no povoado de San Antonio de Lipes (4200m), onde comemoramos o aniversário do Marcos com mais vinho boliviano e na companhia de 2 uruguaios, 1 brasileiro (brasiguaio) e 2 holandesas, todos "muy buena onda" (gente boa) que conhecemos no alojamento. No caminho e quando chegamos no povoado nevou! Até porque estava fazendo 5° abaixo de 0 (Biel, agora eu te compreendo melhor em relação a sua situação aí!!).

No segundo dia do Salar acordamos as 4:30 da manhã e saímos ainda de noite, as 5:30, ao som de Tim Maia. Vimos o Sol nascer entre as montanhas e a Lua não querer ir embora, nos acompanhando até as 8 da manhã. Fomos a um povoado fantasma (4700m), que só se tornou fantasma a 17 anos atrás, quando a população que lá vivia se cansou de ser atormentada por espíritos e fantasmas dos escravos que haviam sido explorados pelos espanhóis por vários anos. Depois avistamos a primeira de muitas lagunas que íamos ver pelo caminho: a Laguna Morejón (4855m). A grande maioria das lagunas é branca pelo bórax, um polímero/mineral que é utilizado para a produção de artigos de plástico e de higiene, como o detergente. O pneu furou. O interessante foi perceber nesse momento a grande solidariedade que existe entre os choferes que são responsáveis pelos viajantes. Todos os demais carros ajudaram a trocar o pneu quando paramos perto de um lugar chamado de “vaquedales”, onde pastos verdes surgem da água (4830m). Fomos ás águas termais e lá, as 3 únicas brasileiras, mais uma mexicana cada dia mais abrasileirada, nadamos com shorts e camiseta, porque não levamos roupa de banho pois tínhamos como previsão pegar bastante frio na viagem. Depois do almoço uma das mais belas visões da viagem: a Laguna Verde! Sua cor é impressionante, mas fica ainda mais devido a seu mistério, ela se revela para que a busca na base de um vulcão cujo nome não faço a mínima idéia. Depois, outra visão impressionante, mesmo de longe: o Deserto de Dalí. As formas e as cores me marcaram profundamente, devido a seu equilíbrio delicado de tons avermelhados. A parada seguinte foi os gêiseres. Parada dentro do carro, pois histórias como a da israelense que pisou em falso e queimou o pé nos chamarizes de mais de 90°c nos amedrontaram. Na verdade, o que mais me incomodou foi o cheiro, insuportável! O final do dia se deu num alojamento a beira da Laguna Colorada.

O terceiro dia começou na beira da Laguna Colorada, vermelha do reflexo das montanhas a sua volta, da pelugem dos flamingos e de algas, vermelhas! Depois fomos a um lugar onde havia várias formações rochosas, das quais uma em especial tinha um formato de árvore. Depois de escaladas em altitude, em que eu preservei a minha vida apenas fotografando o feito e a bandeira do Brasil, fomos a um lugar onde podíamos avistar um vulcão semi-ativo. Por um instante me perguntei o que seria um vulcão semi-ativo, mas preferi não buscar a resposta, até porque parte dela eu já via no horizonte, esfumaçadas e de cor branca. Em seguida fomos a uma região em que havia 5 lagoas, uma depois da outra. Todas com regiões brancas (o mistério do bórax!) mas também transparente e refletindo as montanhas a sua volta. Almoçamos isolados, em uma planície fantástica, na companhia de uma vizcacha, uma espécie de coelho com o rabo enorme que habita a região. Depois começamos o longo trajeto até chegarmos cerca do que é propriamente o Salar de Uyuni, dormindo em um vilarejo em que já se podia avistar uma faixa branca no horizonte.

Último e memorável dia. Começamos bem cedo, antes do sol nascer. Rapidamente o caminho cinza escuro se tornou branco. Paramos para ver o sol nascer. O frio era bastante forte, fazendo com que esperássemos mais ansiosamente ainda o sol aparecer no horizonte, completo. Uma visão inesquecível por tão espetacular. Depois seguimos para a Isla Incahuasi (A morada do Inca), ou simplesmente Isla Del Pescado, devido ao seu formato. É uma ilha cheia de cactus, alguns com mais de 1000 anos. Lá tomamos o café-da-manhã, vendo um avestruz correndo de várias pessoas. Logo fomos a um lugar para tirar aquelas fotos psicodélicas que todo mundo que vai pro Salar tira, a melhor oportunidade pra você pisar em um amigo ou literalmente (não tanto assim...) ter alguém em sua mão. A última parada foi no Hotel de Sal, que atualmente funciona como museu do Sal, com algumas esculturas e a preservação do que antigamente foi um hotel mas que foi interditado pelas autoridades sanitárias. Depois, já fora do Salar, chegamos a Colchani, onde incrivelmente encontramos com a Paulinha (da UFMG) e um grupo de brasileiros (e um mexicano) que tão fazendo intercâmbio em Tucumán!! Mundo pequeno esse! Depois de lá, fomos para Uyuni. Era sexta-feira santa. Chegando lá não tinha gasolina pra voltar pra Tupiza, nem caixa eletrônico funcionando ou casa de câmbio pra gente trocar os pesos argentinos pra pagar o restante da excursão. Benjamin conseguiu uns litros até Atocha, cidade mais perto, onde conseguimos o restante da gasolina pra chegar a Tupiza. Pagamos em pesos argentinos e depois fomos dar notícias à família e comer. Esperamos na sala do hostel até as 3:30, quando fomos pra rodoviária pegar o bus das 4 pra Villazón. Chegamos lá pela manhã e depois de comprar algumas coisas pra comer e artesanatos fomos pra fronteira. A fila da Bolívia estava grande, mas depois a gente foi descobrir que a da Argentina era mais demorada! Na fila encontramos de novo com a Paulinha e a sua turma. Depois dos guardas argentinos demorarem pra devolver os passaportes meu, da Lucero e da Paulinha, e da Maria quase ser má interpretada quando brincava com seu pacotinho de sal do lado dos guardas argentinos, fomos quase correndo pra rodoviária. Lá conseguimos uma passagem pra Jujuy com conexão pra Rafaela, que é a duas horas de Santa Fe. Chegamos aqui, como quem chega em casa, umas 11 da manhã de domingo, famintos, sujos, cansados, mas felizes!

25 março 2010

Saudade da Patagônia

"... el paso de la cordillera de los Andes está grabado en mi alma como uno de los momentos de revelación de mi existencia. Ahora y en otros tiempos desesperados, cuando intento recordar oraciones y no encuentro palabras ni ritos, la única visión de consuelo a que puedo recurrir son esos senderos diáfanos por la selva fría, entre helechos gigantescos y troncos que se elevan hasta e cielo, los abruptos pasos de las montañas y el perfil filudo de los volcanes nevados reflejándose el el agua color esmeralda de los lagos. Esar en Dios debe ser como estar en esa extraordinaria naturaleza. (...) Aspiro el aire limpio, helado y húmedo de lluvia, se me hunden los pies en una alfombraa de barro y hojas podridas, el olor de la tierra me penetra como una espada, hasta los huesos. Siento que camino y camino con paso liviano por desfiladeros de niebla, pero estoy siempre detenida en ese ignoto lugar, rodeada de árboles centenarios, troncos caídos, pedazos de cotezas aromáticas y raíces que asoman de la tierra como mutiladas manos vegetales. Me rozan la cara frimes telarañas, verdaderos mantales de encaje, que atarvesian la ruta de lado a lado perlados de gotas de rocío y de mosquitos de alas fosforescentes. Por aquí y por allá surgen resplandores rojos y blancos de copihues y otras flores que viven en las alturas enredadas a los árboles como luminosos abalorios. Se siente el alimento de los dioses, presencias palpitantes y absolutas en ese ámbito espléndido de precipicos y altas paredes de roca negra pulidas por la nieve con la sensual perfección del mármol. Água y más água. Se desliza como delgadas y cristalinas serpientes por las fisurass de las piedras y las recónditas entrañas de los cerros, juntándose em pequeños arroyos em rumurosas cascadas. De pronto me sobresalta el grito de um pájaro cercano o el golpe de uma piedra rodando desde lo alto, pero enseguida vuelve la paz completa de esas vastedades y me doy cuenta que estoy llorando de felicidad. Ese viaje lleno de obtáculos, de ocultos peligros, de soledad deseada y de indescriptible belleza es como el viaje de mi própria vida. (...) A lo largo de mi vida he buscado una y otra vez la emoción que me produce el bosque, más intensa que el más perfecto orgasmo o el más largo aplauso."

Isabel Allende