07 março 2010


Uma das melhores coisas em viajar são as pessoas que conhecem. Com elas se alguns momentos divertidos e outros assustadores mas é na conversa que mais conseguimos conhecer uma outra cultura. Ao chegar da excursão ao vulcão Lanín, em meio a hamburgueres e batatas fritas combinamos, com as duas argentinas e o francês, de no dia anterior irmos ao Mirador Bandúrrias juntos. Iríamos nos encontrar no café-da-manhã e se algo acontecesse e nos desencontrássemos, cada um sabia o quarto do outro. No dia seguinte só vimos o francês, de nome Jeremy. Batemos na porta do quarto das argentinas, Natália e Nádia, umas 4 vezes e não as encontramos. Então combinamos com o francês de que iríamos ao supermercado enquanto ele ia na rodoviária. Voltamos do supermercado, arrumamos as coisas e ele ainda não havia chegado. Esperamos um tempo e ele não chegou. Fomos então andar em direção a rodoviária e o vimos no caminho. Disse que demorou porque foi comer uma truta com cogumelos num lugar com vista para o lago - enquanto esperávamos ele comendo frambuesas e morangos, que são muito bons aqui! Então, as 2:30 da tarde começamos a subir. Do que minha memória dizia, teríamos que seguir virando para a direita e chegaríamos ao mirador. Andamos, subimos, subimos, subimos, andamos e paramos para lanchar. Conversamos muito nesse momento e depois continuamos a subir, sempre a direita. Chegamos em uma pedra da qual dava para ver toda a cidade de San Martín de los Andes, que pra mim se mostrou maior. Mas não havia placa nenhuma indicando que alí era o famigerado mirador. Então, como ainda faltava 15 minutos para as 6, pensamos em subir mais, agora na direção do lago Lacar. Andamos, subimos, subimos, subimos, e andamos e subimos. Descemos um pouco e quando já era 6:30 e alguns trovões começaram a fazerem-se ouvir, tivemos a chance de ver quase todo o lago - quase todo porque eu e a Núria ficamos com preguiça de andar até onde o francês estava, na verdade invadindo uma propriedade privada. Então, começamos a descer. E depois a subir, a andar, a descer, a voltar a subir e a subir mais e quando a chuva começou a cair e já eram 7:30 (aqui anoitece depois das 8:30), tivemos a certeza de que estávamos perdidos. Pra mim não foi uma grande novidade, mas já estava exausta de tanto andar e minhas pernas e principalmente meu joelho já não tinham a mesma força. Em alguns momentos descia os morros sentada. Chegamos na verdadeira trilha as 8 e alguma coisa, quando a chuva já começou a piorar. Ela agora já era um limpa-alma, não mais um estorvo. Entramos no hostel as 8:10 e foi bem interessante ver a face do pessoal da recepção que nem ousou perguntarnos o que havia ocorrido. Foi um dos melhores banhos da minha vida! E depois, pra incrementar a noite, outro tremor. O aperto do coração parece que não muda, mas fico mais tranquila quando ocorre porque não é mais algo novo.

Foi um dos melhores banhos da minha vida, porque o outro ocorreu dois dias depois. No dia seguinte descansamos bastante e no outro fomos para Villa la Angostura. Chegando lá demoramos para achar o hostel. Na verdade nem tanto, mas é que as malas pesavam tanto no nosso corpo cansado! Quando chegamos no hostel deixamos as coisas e fomos andar na cidade, porque só podíamos fazer o check in depois das 13 horas, e ainda era 11. Depois do check in arrumamos as nossas coisas e fomos para a rodoviária para pegar o bus pra Bahía Manzano. Muito linda a praia. Um dia bastante relaxante, em que eu fiquei lendo quase o tempo todo e Núria dormiu! Voltamos, cozinhamos e dormimos. No dia seguinte nossa amiga Chen chegou para abalar geral! Ela conhecer Núria e suas amigas em Buenos Aires e viajou com elas para o Uruguai. Agora tinha vindo nos fazer companhia. Como tínhamos combinado, esse dia seria do dia em que iríamos ao Ístimos de Quetrihue, onde está localizado o Bosque de Arrayanes. Essa árvore é bem rara, sendo só lá, depois de 12 quilômetros de caminhada, o lugar onde há um bosque. Os primeiros 2 quilômetros foram bem difíceis, de subida, e depois percebemos que poderíamos conseguir chegar ao final da caminhada. Paramos muitas vezes para tirar fotos, comer e ir ao lago. Quando contei a Chen que foi nesse bosque, numa casinha de madeira que Walt Disney escreveu a história de Bambi, ela começou a correr, doida para chegar. Quando chegamos vimos que muitas pessoas haviam chegado de barco e eu perguntei a uma delas que horas o barco sairia do porto. Ela me disse que seria as 5:50. As 5:40, quando chegamos na casinha do Walt Disney, onde hoje há um bar, perguntamos aos moços que trabalhavam lá se poderíamos comprar passagens para Villa la Angostura e eles disseram que não havia mais passagem e que o último barco já havia saído. E eu não entendia porque a moça havia falado que ele só iria sair as 5:50. Então decidimos ir ao porto perguntar ao pessoal se havia como voltarmos no barco, nem que fosse de penetra, pois estávamos muito cansadas e precisávamos chegar antes do supermercado fechar, o que acontecia as 9 da noite. Eu e a Núria fomos falar com o pessoal enquanto Chen ficava tirando fotos do lugar. Um moço que era guarda do parque nos disse que o barco que iria partir era em direção a Bariloche e que teríamos que voltar a pé. Nos disse que só começava a realmente ficar escuro as 9:30, mas que se não demorássemos muito a sair conseguiríamos chegar antes disso. Uma moça que havia vindo de barco ficou nos perguntando sobre a passagem, como era e se era muito difícil, e quando o barco começou a zarpar ela entrou e nós fomos contar a triste novidade para Chen. Foi quando não conseguimos vê-la e começamos a gritar seu nome. Então ouvimos elas gritando e nos acenando do barco. Ela saiu de lá a tempo e quando contamos pra ela que o barco ia para Bariloche ela riu e fomos começar a nossa longa volta para a cidade. Fomos na companhia de um cachorro e no meio do caminho havia uma vaca e um touro pastando. Eles então pararam de comer quando nos viram, principalmente com o cachorro e o touro começou a andar na nossa direção. As meninas voltaram no caminho enquanto eu entrei no meio do mato. A vaca e o touro vieram perto de mim "me checar" e eu permaneci imóvel. Depois de um pequeno tempo, que se tornou bem grande, a vaca e o touro andaram em direção ao outro lado da mata e eu chamei as meninas para passarem porque eles haviam ido. Seguimos caminhada, chegando ao final do parque as 8:45 da noite, doidas para pegar um taxi. Rapidamente descobrimos que não havia taxi por perto e que o ônibus também já havia parado de passar. Então, começamos a caminhar pelos três quilômetros de distância do início do parque até o centro. Como nós estávamos cansadas, começamos a pedir carona. Nenhum dos poucos carros que passaram ousaram nos dar carona. Até que uma senhora que ia ao centro cultural com sua filha nos deu carona e ainda nos deixou no próximas a um dos poucos supermercados da cidade que ficava aberto até as 10 da noite. Foi outro dos melhores banhos, conjugado com um dos melhores jantares da minha vida.

No dia seguinte iríamos a Villa Traful. Na verdade fomos, mas foi algo por um triz. Ao chegar na rodoviária as meninas foram comprar a passagem. Quando voltaram elas me disseram que só havia uma passagem. Então fomos conversar com o motorista e percebemos que o carro estava vazio. Então, fomos. No mesmo ônibus estava uma garota, Ana, do hostel que nós estávamos que nos fez com companhia por toda a viagem a Traful. A descrição mais correta de Traful foi a da Ariana, nossa colega de quarto em Villa la Angostura: "No hay nada ní nadie, pero es magico!" (Não há ninguém nem nada, mas é mágico!). Na volta, no ônibus, Chen estava tentando entender porque que a moça do guichê havia dito que não havia espaço sendo que havia. E como o ônibus parou, pois a proteção do solado havia soltado, ela começou a dizer que a companhia era muito ruim e tals e todos começaram a rir dela, pois parece que alguém que estava no ônibus tinha uma espécie de ligação íntima com a empresa! Mas todos levaram na boa e riram muito, pois a linguagem mais usada pela Chen para expressar esse tipo de sentimento foi a gestual.
No dia seguinte viemos para Bariloche. Depois de nos acomodarnos no hostel fomos ao supermercado comprar comida e ficamos no centro cívico conversando. Na volta havia mais 4 pessoas no nosso quarto: 2 argentinos e 2 americanos. Depois de quebrado o gelo, coisa que a Chen faz muito bem, conversamos e fomos fazer algumas coisas para o jantar com eles mais umas pessoas do hostel que encontramos lá embaixo. Foi um momento de conversa muito divertido! No dia seguinte, como Núria estava um pouco cansada e com dor de garganta, eu e a Chen fomos com eles para o Cerro Catedral. Descobrimos que lá não é um bom lugar para ir num domingo com muitos ventos! Lá sim não havia nada nem ninguém! Então fomos ao Parque Llao Llao e paramos em seus mirantes. Depois ao Cerro Campanário onde subimos de teleférico. Lá, com a altura e o vento se mostrou um lugar congelante, até pra mim que já começo a me acostumar com esse clima do sul da Argentina! Depois passamos no hostel para pegar a Núria e fomos comer. Depois do nosso almoço as 4 da tarde, nada como um chocolate quente nesta cidade em que a palavra chocolate é a primeira que você vê quando chega na rodoviária!

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